coisasminhas


NAS NOITES ESCURAS E DURAS

AUSÊNCIAS VISIVEIS E PURAS

CANÇÕES QUE SÓ TOCAM NA MADRUGADA

BRISAS QUE SÓ REFRESCAM E MAIS NADA

E EU VOU CHORAR PARA QUÊ?

PARA DAR O GOSTO DO DESGOSTO À MIM MESMO?

PARA MOSTRAR AO OPOSTO UM CORPO ENFERMO?

NÃO QUERO CHORAR POR CHORAR, NÃO!

NEM QUERO RISOS ESTRANHOS E TRISTES

A VIDA NÃO É SÓ ROSAS E PERFUMES

HÁ GESTOS DESPERSOS, BURACOS E CUMES

MENINOS ÀS VEZES CAUSAM-ME PAVOR -ALGUM

MENINAS COM SEUS JEITINHOS E FRESCOR-HUMM!

CAUSAS QUE PENSAM E EU NEM SEI

COISAS QUE VIRAM E EU NÃO VEREI

TEMPOS QUE JÁ PASSARAM E EU NÃO PASSEI

( É ISSO AÍ)





Escrito por jana às 13h07
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"...e assim sou, fútil e sensível...tudo em mim é a tendência para seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma; um desassossego sempre crescente e sempre igual.
Tudo me interessa e nada me prende.
Atento a tudo, sonhando sempre;
fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo,
recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres
expressos;mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte
com quem falei.Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que não lembra, ou inclinação de ouvir com
os olhos com que recebeu a narrativa que não me
recordava ter-lhe feito.
Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses
que não estão pegados.

Fernando Pessoa - Livro do Desassossego(pg.49/50)



Escrito por jana às 12h52
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A distância complica e ela implica com a minha idade

Vai ver que eu não sou diferente e faço por vaidade

Vontade de dormir na tua cama

Vontade de acordar no teu abraço

 

Aparência não conta, ela aparenta ter vinte e seis

E daí que faço vinte cinco no próximo mês

Vontade de falar ao teu ouvido

Vontade de ouvir a tua voz

 

A minha queixa é que ela me deixa quando quer

Aproveita a inconstância, elegância de ser mulher

Vontade de não te aceitar de novo

Vontade de não ir te procurar

 

Ela disse que gostava de pintar e até fazer poesias

E se pinta que me encanta e arranca minhas rimas

Vontade de te ler coisinhas minhas

Vontade de vê-la aos trinta e dois

 



Escrito por jana às 22h29
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